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Professora da USCS faz nova expedição pelo Rio Doce

De 21 a 26 de outubro, a Professora Marta Marcondes esteve na região do Rio Doce (MG-ES), visitando e coletando material das áreas afetadas pelo acidente ambiental de um ano atrás. As amostras serão analisadas nos laboratórios da USCS, divulgando os dados para toda a população. Veja um dos relatos da professora:

Acompanhando o finalzinho da Expedição pelo Rio Doce, compartilhamos com vcs esse texto que num alerta e desabafo, nos dá mais um momento para refletir sobre nossas ações e opções! Bem pertinente, depois de falarmos sobre o “RIO DOCE”!

– “CADÊ A LAMA QUE ESTAVA AQUI?”
Por Vanessa Pose Martinez – Bióloga Zoóloga, Mestre pelo Museu Nacional da UFRJ

Não é “de hoje” que o ser humano aprendeu a descartar seus problemas. Animais mortos, restos de alimentos, fluidos corporais e até outros seres humanos, foram durante muitos anos jogados em lagos, riachos, portos, etc. Afinal, “o que não é visto, não é lembrado”, não é mesmo?
E isso continua de uma forma muito marcante nos tempos atuais, o lixo (produzido de forma exacerbada), após ir para o lixo das casas (quando não, jogados pelas janelas ou abandonados nas ruas), deixa de ser problema do indivíduo. Não há preocupação de pra onde ele irá, como será tratado, se será remediado, assim como o lixo reciclável, se será de fato reciclado.
Após apertar a descarga, o ser humano também não se preocupa com seus resíduos, será que eles irão para uma estação de tratamento ou será que serão despejados em algum córrego que correrá pro mar? Ah o mar! Tão lindo e tão útil, um verdadeiro sumidouro de problemas. Seja o lixo, o esgoto, o resíduo toxico da empresa, o despejo do material não tratado, a lama tóxica de Mariana…
O mar possui segredos ainda desconhecidos pelo ser humano, suas profundezas escondem organismos incríveis, capazes de superar expectativas de possibilidades humanas. Além de ser o habitat de milhões de seres vivos (inclusive os responsáveis pela produção do nosso oxigênio – as algas), ele é um enorme berçário não visto à olhos humanos nus. As larvas (“bebês” de invertebrados marinhos – crustáceos, moluscos, equinodermos, etc), são extremamente frágeis à mudanças ambientais, à alteração do ph, salinidade, temperatura, já estão fortemente provadas (através de artigos científicos) que modificam as estruturas da larva, como também podem alterar seu desenvolvimento e até mesmo levá-la à morte.
Os vertebrados marinhos e seus ovos também sofrem com mudanças ambientais, mas principalmente com o lixo. As próprias algas também…
O hominídeo é apenas uma pequena porcentagem de tamanha diversificação, é apenas outro animal que se ramificou durante a evolução. Antes dos homens, os primeiros animais da terra eram marinhos e muitos “fósseis vivos” ainda se encontram lá. Que soberba humana, se achar tão dono de um território que nunca foi seu, não ter zelo e carinho por um ambiente que gera tanto equilíbrio para as espécies. Esta lama tóxica que percorreu e fez morrer parte do Rio doce agora vai escorrendo, diluindo lentamente no mar, mas ela não vai desaparecer. Ela estará presente nos organismos marinhos, nas aves e – se for de fato confirmado a bioacumulação dos metais pesados – até em você, que não tem tempo pra esse tipo de problema. Esta sociedade refém do dinheiro e relógio perde com a desvalorização de pesquisas e a falta de incentivo ao estudo!

Veja fotos da visita à região, que ocorreu na última semana: