Notícias

Pesquisadora do PPGCOM-USCS transforma em grafite o massacre do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Kelsma Gomes utilizou as memórias dos remanescentes da tragédia em sua dissertação de mestrado para criar grafite xilogravura em universidade do Ceará

Um local em que todos trabalhavam para todos, produzindo frutas, verduras, cereais, em meio a casas simples, cuja população foi brutalmente massacrada na década de 1930. O massacre da comunidade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi objeto de estudo da dissertação produzida na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) por Kelsma Gomes, sob orientação do Prof. Dr. João Batista Cardoso, resultando na produção de um grafite no estilo xilogravura no campus Juazeiro do Norte, da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

IMG_0597

O Caldeirão foi uma refúgio às secas severas que acometiam os moradores do Ceará, que precisavam migrar para outros espaços em busca de melhores condições de vida e uma opção para as famílias que desejam viver em comunidade o trabalho, partilha e oração. Sabendo dessa necessidade, o Padre Cícero doou terras localizadas no Crato (CE) ao beato José Lourenço, criando dentro da região do Cariri uma comunidade sócio-religiosa bem-sucedida.

Porém, após a morte do santo popular e em decorrência dos interesses dominantes da época, os camponeses da região foram perseguidos e massacrados. “Ao longo da pesquisa, uma das remanescentes entrevistadas contou que ela e seus familiares foram avisados de que o pai havia sido morto, procurando sobreviver ao massacre saíram em fuga pela mata em meio ao bombardeio aéreo e conseguiram recomeçar a vida em outra região. Decorridos dezessete anos sem conseguir contatá-lo e enfrentando as adversidades da perda conseguiram reencontrá-lo em região distinta. São muitas histórias comoventes”, argumenta Kelsma.

A partir dessas histórias, surgiu o produto do mestrado, decorrente dos relatos coletados e da contribuição do trabalho dos estudantes da UFCA para a confecção de uma matriz xilogravura e posterior grafite. “Nós tínhamos o material coletado, mas não tínhamos escolhido o recorte que usaríamos para divulgá-lo. Para a produção das imagens, foram relacionados os relatos orais das remanescentes com as fontes audiovisuais até chegarmos aos grafites-memórias. Os elementos simbólicos foram esboçados em oficina e partilha com o grupo de Laboratório em Imagem e Estética em Comunicação da UFCA e em seguida foram adequados e entalhados na madeira por um xilógrafo da região. O resultado desse processo foi uma gravura grafitada dentro da universidade”, afirma a pesquisadora.

IMG_4338