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Escola de Negócios News: Artigos e Matérias de interesse

  1. Grupo Pão de Açucar começa a mudar modelo comercial.

Valor Econômico, 26/5/2017. Por Adriana Mattos

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) dá um primeiro passo num modelo de operação que pode mudar, no longo prazo, a forma como a varejista negocia com a indústria. O movimento ocorre num período de acirrada disputa por mercado, especialmente entre redes do GPA e do Carrefour.

A companhia anunciou ontem o lançamento de um aplicativo para as redes Extra e Pão de Açúcar, que permite à indústria apresentar ofertas diretamente aos consumidores, sem interferência da loja. O mercado brasileiro é o primeiro em que o controlador do GPA, o grupo francês Casino, testa a iniciativa. Um total de 25 indústrias começa, no próximo mês, a acionar um site no qual selecionará quais produtos quer ofertar e para qual perfil de clientes. Será possível ao fabricante escolher, por exemplo, a região ou a cidade do país que pretende atingir para determinada promoção e buscar quais clientes compram com frequência lançamentos ou ofertas. O sistema informa, então, o público que deve ser atingido pela ação, o investimento feito na oferta e a expectativa de venda com a operação. No próprio site, o fabricante dá o sinal verde para a oferta customizada – que tem prazo de validade de 15 dias. O GPA dispara as promoções para o público selecionado entre os 12,5 milhões de clientes cadastrados nos programas de fidelidade do Pão de Açúcar Mais e do Clube Extra. O sistema promete descontos regulares de pelo menos 20% (podendo chegar a 100%) em 60 categorias de produtos.

Parte dessas informações sobre o perfil do cliente, que serão disponibilizadas para os fabricantes no site do GPA, foram colhidas pelo grupo nos últimos anos, em seus dois programas de fidelidade. O consumidor receberá no mínimo 30 ofertas e no máximo 120 – serão duas ofertas para cada categoria de produto, em média. O cliente precisa aceitar comprar o produto pelo valor apresentado no aplicativo e, quando for à loja, o preço promocional será automaticamente detectado quando a mercadoria passar pelo caixa. Farão parte desse projeto, na área alimentar, as redes de hipermercados e de supermercados Extra, Minimercado Extra, Pão de Açúcar e Minuto Pão de Açúcar – com 782 lojas. Haverá ações específicas nos pontos de venda e na mídia para que consumidores baixem o aplicativo, chamado “Meu Desconto”. Jorge Faiçal, diretor de gestão de categoria e marketing do GPA Alimentar, disse ontem que a intenção é trazer tráfego para lojas, ampliando o volume vendido e ganhando escala. “A pretensão não é aumentar rentabilidade, mesmo que isso tenda a acontecer com volumes maiores.

A ideia é aumentar o ‘share of wallet’ [participação das vendas do grupo nas vendas mensais das famílias]. Calculamos que uma família média tem gasto mensal de R$ 1 mil nos supermercados e visita sete lojas no mês. Nosso ‘share’ é de R$ 200. Queremos aumentar isso”, diz. GPA começa a mudar modelo comercial

A indústria deve dar descontos de no mínimo 20% no aplicativo para um conjunto de produtos que, nas lojas, tem promoções de 12% a 15%. Quem “bancará” o desconto será o fabricante, não o GPA. Dessa forma, o varejista tenta proteger suas margens com o produto e pode até compensar eventual perda em outra categoria (política do “high and low”). Participaram das conversas com a rede empresas como Unilever, Nestlé, P&G e Ambev, apurou o Valor. Um primeiro teste foi feito com 60 mil funcionários do GPA em março. Ao fim de abril, 10% baixaram o aplicativo e dos 10%, 60% comprou algum produto. Um dos principais efeitos dessa iniciativa deve ser o desenvolvimento de um novo modelo de negociação comercial. É que, pelo formato atual, existente há décadas, a indústria paga verbas publicitárias, de em média 3% sobre o valor do contrato, para que a loja promova ações com produtos (em TV, folhetos etc). Com ações diretamente no aplicativo, o GPA diz que os investimentos em mídia tradicional tendem a cair, assim como essa cobrança da indústria. Isso pode ser uma economia de custo para os fabricantes – o que estimularia as empresas a apoiar o formato de venda digital. “Estamos mudando as relações com fornecedores, reduzindo atritos e esse incentivo perverso de concentrar compras no fim do mês. É um sistema ineficiente e parte dessa estrutura de custos deve ser reduzida”, afirmou ontem Luis Moreno, vice-presidente de negócios do multivarejo do GPA. A expectativa da empresa é que 20% da atual base de clientes cadastrados nos programas de fidelidade do grupo baixem o aplicativo novo até o fim do ano. Para especialistas ouvidos, a iniciativa é um avanço nos modelos em vigor e deve gerar reação da concorrência. Além disso, afirmam que a iniciativa “protege” a indústria e o varejo, porque impede que o consumidor que não usa o aplicativo descubra que está pagando mais que o cliente que usa. A intenção do GPA é que essa vantagem gere mais fluxo de clientes para o novo sistema. “Quando o concorrente descobrir que o cliente do Extra vai pagar R$ 10,99 pelo quilo do Omo em pó [no aplicativo], ele vai querer da Unilever o mesmo preço para o seu site. Deve gerar reação”, diz Manoel Antônio de Araujo, diretor da consultoria Martinez de Araújo. O Carrefour informou ontem, em minuto de prospecto preliminar de oferta de ações no país, que passará a vender alimentos pela internet no segundo semestre.

  1. CVM pode processar auditor de empresa em caso de corrupção

Valor Econômico, 23/5/2017.Por Fernando Torres e Rodrigo Rocha

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode processar auditores de companhias abertas envolvidas em casos de corrupção, como os da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, caso verifique falha nos procedimentos adotados por esses profissionais.

“Os auditores desempenham um papel fundamental na avaliação da regularidade das demonstrações financeiras vis-à-vis as regras contábeis. Assim, caso se verifique o descumprimento das normas contábeis ou de auditoria na realização de seus trabalhos, estarão sujeitos a processos sancionadores para verificação de suas responsabilidades”, disse a autarquia, em resposta a questionamento por e-mail do Valor, ainda antes da divulgação da delação dos executivos e controladores da JBS, que admitiram o pagamento de propina a políticos de inúmeros partidos.

A JBS teve seus balanços de 2013, 2014, 2015 e 2016 auditados pela BDO RCS. Entre 2011 e 2012, a auditoria foi da KPMG, que havia comprado a BDO Trevisan, que prestava o serviço nos anos anteriores. Logo após a transação, a marca internacional BDO se associou à RCS no Brasil e reassumiu a conta dois anos depois.

Outra companhia de capital aberto que admitiu pagamento de propina foi a Braskem, controlada pela Odebrecht – esta última de capital fechado. A PwC prestou serviço de auditoria para a petroquímica entre 2010 e 2014. A KPMG assumiu os trabalhos no Brasil a partir de 2015, por conta do rodízio obrigatório, e a PwC segue prestando serviço para fins de reporte nos Estados Unidos.

O fato de uma companhia ter pago propina a políticos não implica, necessariamente, em falha no processo de auditoria.

A CVM terá que analisar, no caso concreto, se as normas da profissão foram cumpridas e se os auditores exerceram o ceticismo que se espera deles.

O especialista em governança corporativa, Alexandre Di Miceli, professor da Fecap e sócio da Direzione Consultoria, diz que a atuação das auditorias foi “absolutamente inacreditável”, no caso, por exemplo, da baixa contábil da Petrobras. “Além da corrupção, no caso da Petrobras, você tem um valor muito maior, de mais de R$ 40 bilhões, em que os ativos estavam sobrevalorizados e que nos anos anteriores as auditorias aceitaram nos balanços”, diz.

O especialista cita ainda, a existência de um departamento de propinas na Odebrecht, e o pagamento indevido de pelo menos R$ 1,14 bilhão pela JBS. “Não está se falando de um pagamento esporádico, e sim de um modus operandi. Espera-se pelo menos uma bandeira vermelha.”

Quando confrontados com esses casos, os auditores argumentam que seu trabalho não tem a descoberta de fraudes como foco. E dizem que, apesar dos valores absolutos elevados de propina, os pagamentos são diluídos ao longo de anos, em balanços de empresas que faturam dezenas ou centenas de bilhões de reais.

Nos casos descobertos pela Lava-Jato, há ainda pagamentos por parte de acionistas controladores, por fora da contabilidade da empresa auditada, o que dificultaria ainda mais a detecção.

Presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Idésio Coelho diz que esse tipo ação, principalmente quando cometida por membros da alta administração, é muito difícil de ser detectada em uma auditoria externa. “As fraudes não acontecem nos documentos oficiais, normalmente. Elas são feitas em acordos que estão por trás dos contratos, que são revestidos pela aparência de legalidade.”

O representante do Ibracon cita ainda um estudo da entidade antifraude Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), que apontou que apenas 3,8% das irregularidades descobertas nas companhias em 2016 foram apontadas pela auditoria externa. A maior parte das fraudes, segundo o levantamento, é descoberta após denúncias (39,1%), auditoria interna (16,5%) e análise da gestão (13,4%).

  1. Um Erro histórico de Trump

Valor Econômico, 5/6/2017. Por Laurence Tubiana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país não vai mais participar do acordo climático de Paris de 2015, o tratado histórico da ONU que trabalhamos tão arduamente para conquistar. Trump  esta cometendo um erro que terá graves repercussões para seu próprio pais, e para o mundo.

Trump diz que tentara renegociar o acordo alcançado em Paris, ou formular um novo. Mas dirigentes do mundo9 inteiro já saudaram o Acordo de Paris como um avanço revolucionário na luta contra a mudança climática, uma vitória para cooperação internacional e uma bênção para economia mundial. Isso continua verdadeiro hoje.

Entre os muitos desafios que enfrentamos atualmente, a mudança climática é singular em sua escala mundial. Afeta todos os elementos da vida neste planeta – desde os ecossistemas e a produção de alimentos ate cidades e cadeias de suprimentos industriais. Encarar a mudança climática como um problema estritamente “ambiental” é não capitar minimamente o sentido exato do problema.

Poderíamos, caridosamente, pressupor que Trump simplesmente não entende a implicação de sua decisão. Mas, independente do que  Trump acha, sabemos que ele esta cercado de assessores que sabem muito bem o que esta em jogo.

Na campanha, Trump prometeu criar empregos e proteger os trabalhadores americanos das devastações mundiais. E encerrou sua postagem no twitter que anunciava que ele tinha tomado uma decisão sobre o Acordo de Paris com as palavras “make America Great Again” (“Torne a América grande de novo”)

Mas a decisão de Trump solapa cada uma dessas metas, e vai contra o desejo da vasta maioria dos americanos, entre os quais muitos de seus partidários. Ao dar as costas ao acordo de Paris, Trump esta aumentando a exposição dos americanos ais efeitos devastadores da mudança climática – muitos dos quais eles já vivenciam. Além disso, esta boicotando a criação de postos de trabalho nos prósperos setores de energia renovável e de veículos eletrônicos, que estão empregando cada vez mais os próprios trabalhadores que ele diz representar.

De fora mais ampla, Trump diminuiu os próprios EUA abdicou do papel de liderança mundial do país. Quando fui membro do governo francês e participei de uma turne mundial para consolidar consenso para a ação climática – um empenho que acabou culminando no Acordo de Paris -, senti de perto o que a liderança americana é capaz de conquistar. É trágico ver essa força virtuosa ser subvertida pela negação e pela miopia.

Ao enterrar a cabeça a na areia, Trump e seus assessores talvez esperem simplesmente que  a realidade deixem de existir. Eles concluíram de alguma forma que os EUA serão poupados das secas que já destroem propriedades rurais no Vale Central da Califórnia, da elevação do nível  do mar que já inunda suas cidades litorâneas, das tempestades e incêndios que devastam rotineiramente vastas faixas da zona rural americana e da escassez de água e de alimentos que ameaça todos nós.

Outra parte signatária do Acordo do Paris reagiram vigorosamente à decisão de Trump, dando assim uma demonstração  da capacidade de superação do próprio acordo. O restante do mundo ficará triste em ver uma América que foi deixada par trás devido a decisão de Trump. Mas nos vamos esperar; na verdade, já estamos indo em frente.

A relação do mundo ficará clara na reunião do G-20 marcada para julho na Alemanha. Europa, China, Índia, Canadá e países da orla do Pacífico e da América do sul já reafirmaram seu compromisso para com as metas do Acordo de Paris. Esses países entendem os perigos da mudança climática, tanto quanto os acionistas mundiais da ExxonMobil, que, exatamente nesta semana, rejeitaram as tentativas da empresa de ignorar o impacto da mudança climática sobre sua área de atuação.

Ao colocar os EUA na companhia dos dois únicos países que não aderiram ao Pacto de Paris – a Síria e a Nicarágua – a decisão de Trump confronta totalmente a atual atmosfera mundial de cooperação. As principais economias mundiais estão fechando novos acordos todos os dias – de colaboração em pesquisa e de desenvolvimento, investimento em infraestrutura e estratégia industrial. Estão trabalhando juntas para conquistar uma economia de baixo carbono e para transformar 2020 no ano em que as emissões mundiais de gases-estufa terão atingido seu pico.

Ações climáticas de nível estadual e municipal percorrem os Estados Unidos de alto a baixo, crescendo em escala e em ambição. O erro histórico do presidente Trump representa um obstáculo a essa ação coletiva; mas dificilmente será capaz de detê-la.

Os dirigentes europeus já estarão se reunindo com seus colegas indianos e chineses para encontrar áreas em que possam cooperar no desenvolvimento de energia limpa e de infraestrutura verde. Serão feitos enormes investimentos nessa área, e o Banco Central Europeu, o Banco Asiático de infraestrutura e investimento e muitas outras instituições estão criando mecanismos para financiá-lo. No mesmo sentido, fundos soberanos de investimentos, dotados de imenso poder no sistema financeiro mundial, estão redirecionando seus aportes para a economia verde.

Nem os mais otimistas de nós previam que o velho modelo de combustíveis fósseis fosse mudar tão depressa. Mas a Europa esta desativando gradativamente a produção de energia a combustão de carvão. E Índia, china e coreia do sul estão afastando rapidamente seus investimentos do carvão e redirecionando-os rumo e fonte de energia renovável.

No mundo inteiro a competição é para ver “quem conseguirá tornar-se verde antes”. Novos setores estão surgindo, em grande escala, em áreas que vão desde a eletrificação e a concepção de redes inteligentes de energia elétrica até veículos elétricos, construção verde e tecnologias de reciclagem passando por produtos químicos orgânicos. A revolução de energia renovável, que atualmente se propaga a um ritmo sem precedentes, já esta transformando setores inteiros, especialmente o de transportes. Em todos esses setores do mundo inteiro, a empolgação e o potencial de crescimento são palpáveis. É uma lastima que Trump tenha decidido fazer que os EUA fugissem da responsabilidade mundial e tenha dado as costas a esses fatos novos. Sua decisão é um golpe para tantas pessoas – entre as quais um grande contingente de americanos – que trabalharam arduamente para participar com êxito da nova economia.

Mas Trump não conseguirá levar consigo os EUA como um todo. Ações climáticas de nível estadual e municipal percorrem os EUA de alto a baixo, crescendo em escala e em ambição. O erro histórico de Trump representa um obstáculo a essa ação coletiva; mais dificilmente será capaz de detê-la Assim como empresas chinesas treinam neste momento trabalhadores americanos de carvão na construção de parques de captação de energia eólica, o restante do mundo continuará a trabalhar conjuntamente, e a  construir mercados e a mão de obra do futuro.

Laurence Tubiana embaixadora da França junto a convenção-Quadro de Mudança Climática da ONU, é executiva-chefe da Fundação Europeia do Clima e professora da Sciences Po, de Paris. Copyright: Project syndicate, 2017; www.project-syndicate.or

  1. Estudantes se rebelam contra o ensino de economia atual

Exame. Com. 22/5/2014. Por João Pedro Caleiro

Manifesto assinado por 65 associações acadêmicas de 21 países pede para que “o mundo real seja trazido de volta” para as aulas de economia. Reunidos em Londres, estudantes apoiam o movimento pela reforma do ensino de economia reunidos em Londres

“Não é apenas a economia mundial que está em crise. O ensino de economia também está, e as consequências disso vão muito além do âmbito acadêmico.”

É assim que começa uma carta aberta assinada pelo ISIPE (sigla em inglês para Iniciativa Internacional de Estudantes para o Pluralismo Econômico) e divulgada no início do mês.

O grupo é formado por 65 associações de 21 diferentes países – entre eles Estados Unidos, Rússia, Índia e Reino Unido. O Nova Ágora assina pelo Brasil.

Os estudantes afirmam que o currículo da disciplina sofreu um “estreitamento dramático” nas últimas duas décadas e que isso prejudica a habilidade dos formados de encontrar soluções para os desafios do século XXI – como a “estabilidade financeira, a segurança alimentar e o aquecimento global“.

Pluralismo

Eles pedem três tipos de pluralismo. O primeiro é teórico: a ideia é que o ensino deveria expor os alunos a perspectivas econômicas variadas – clássica, pós-keynesiana, marxista, institucional, ecológica, feminista – que hoje são excluídas em favor de uma visão única (a neoclássica).

Afinal, “ninguém levaria a sério um curso superior em psicologia que focasse apenas no Freudismo”.

O segundo pluralismo é metodológico: a crítica é que hoje os estudantes só aprendem métodos quantitativos e nunca são expostos a métodos qualitativos que os fariam questionar seus pressupostos e conclusões.

O terceiro pluralismo é interdisciplinar: “economia é uma ciência social: fenômenos econômicos complexos raramente podem ser entendidos se apresentados em um vácuo, removidos do seu contexto histórico, político e sociológico.”

Movimento

Esta não é a primeira iniciativa do tipo: a crise de 2008 causou um surto de reflexão em todas as facetas do mundo econômico, incluindo a educação.

Já no ano seguinte, o Instituto para o Novo Pensamento Econômico (INET) foi fundado com o apoio de figuras como George Soros e Paul Volcker. Entre seus objetivos está estimular a renovação da pesquisa e do currículo de economia.

Em 2011, estudantes de Harvard explicaram em outra carta aberta sua decisão de deixar o curso introdutório do professor Greg Mankiw.

No ano seguinte, estudantes da Universidade de Manchester começaram a Post-Crash Economics Society com o lema “o mundo mudou; a apostila, não”. Outro grupo, o CORE-ECON, defende um ensino “como se as últimas três décadas tivessem acontecido”.

Debate

Thomas Piketty, o economista francês que virou a sensação do momento com o livro “O Capital no Século XXI”, diz que a disciplina “precisa superar sua paixão infantil por matemática e por especulação puramente teórica e com frequência altamente ideológica, em detrimento de pesquisa histórica e colaboração com outras ciências sociais”.

Para o americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de economia, a teoria keynesiana já trazia as ferramentas necessárias para diagnosticar e superar a crise financeira.

O ensino precisa rebalancear seu foco, sim, mas o problema maior foi que os políticos escolheram seletivamente as teses que cabiam nos seus interesses – como a de que austeridade levaria a crescimento no contexto de uma economia em depressão.

O manifesto do ISIPE diz que “a mudança será difícil – sempre é”, mas a ideia é que assim como o ensino, o debate ultrapasse os muros da universidade.

Afinal, como escreveu o economista Paul Samuelson, “não me importo com quem escreve as leis de um país ou faz seus tratados, desde que eu possa escrever seus livros didáticos de economia.”